Alessandro Acayaba de Toledo, presidente da ANAB, esteve presente no 5º Congresso Nacional de Hospitais Privados nesta sexta-feira, 24. Ele participou de uma mesa redonda sobre a responsabilidade da prestação de serviços da saúde ao lado de Ana Elisa Siqueira, CEO do Grupo Santa Celina, e Dirceu Barbano, ex-diretor-presidente da Anvisa e consultor empresarial.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, abriu o dia de palestras no evento e comentou os desafios da saúde pública e suplementar. Médico, ele ressaltou a importância social do segmento e falou sobre as perspectivas para o futuro. “Estamos vivendo mais e melhor e isso é uma excelente notícia, mas também há um grande desafio, que é o financiamento da saúde em um Brasil que deixa de ser jovem e se encaminha para ser um país idoso.” O governador também destacou a judicialização como um empecilho para que o segmento se desenvolva. “Só no estado de São Paulo, temos 1,8 bilhão de reais em judicialização. De um lado, há o que é de fato discutível cientifica e socialmente e, do outro, há muitas fraudes. E custo é importante, por isso gestão é essencial”, acrescentou.

No início do debate, os participantes foram questionados sobre a responsabilidade pela saúde e o bem-estar da população. Alessandro Acayaba de Toledo esclareceu que o acesso à saúde é um direito constitucional e, portanto, é dever do Estado, mas levantou a questão dos custos e mencionou a discussão em torno do plano de saúde acessível, proposto pelo Ministério da Saúde. “Todo mundo quer ter acesso à saúde, quer ser cuidado, mas isso gera custos. O projeto do Ministério propõe facilitar o acesso aos serviços para as pessoas que não tem condições de arcar com os planos de saúde do mercado. É uma alternativa que proporciona um acesso limitado aos serviços de saúde”, comentou.

Nesta perspectiva, o presidente também acrescentou que as administradoras têm trabalhado para garantir o acesso dos beneficiários aos planos de saúde. “Propusemos ao relator do projeto de lei sobre planos de saúde, que está sendo discutido no Congresso, que haja a possibilidade de o beneficiário contratar um plano de saúde individual, toda vez que houver o rompimento de um contrato coletivo. Isto também é proporcionar a continuidade do acesso à saúde”, disse ele.

Aproveitando o gancho da acessibilidade e dos planos populares mencionados por Alessandro, o mediador indagou sobre a efetividade das clínicas populares. “No Brasil, é um modelo de negócio recente e entendo que atende à necessidade de pessoas que não podem custear um plano de saúde com cobertura mais ampla. Então, quando um procedimento de alta complexidade é necessário, esse paciente precisa ser submetido ao SUS.”

“O equívoco que cometemos é não aproveitar a oportunidade para trabalhar com linhas de cuidado. Hoje, essas clínicas são mais uma porta de entrada para um acesso sem continuidade e isso cria mais um problema a ser resolvido depois”, acrescentou Ana Elisa Siqueira, CEO do Grupo Santa Celina.

O presidente da ANAB também mencionou que a prevenção e promoção, além de benéfica para a população, ajuda a controlar os custos em longo prazo. “No caso dos idosos, por exemplo, às vezes se nota que ele não vai ao geriatra, não tem um acompanhamento adequado e, quando ele efetivamente precisa de tratamento, gera um grande custo. Por isso, programas que incentivam o cuidado anterior são importantes”, finalizou.

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