Na última quarta-feira (19/09), representantes de campanha dos principais candidatos à Presidência da República apresentaram suas propostas para a área da saúde na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O evento foi promovido pelo Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia da FIESP (ComSaude), com apoio do Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs) e do Instituto Coalizão Saúde (ICOS).

De acordo com Ruy Baumer, Diretor Titular do ComSaude, o objetivo do evento foi fomentar o debate sobre temas importantes para as empresas do setor e conhecer as propostas dos principais candidatos.

Entre os participantes estavam David Uip, representante da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), Arthur Chioro, representante da candidatura de Fernando Haddad (PT), Márcia Bandini, representante da candidatura de Marina Silva (Rede), Roberta Grabert, representante da candidatura de João Amoêdo (NOVO) e Henrique Javi, representante da candidatura de Ciro Gomes (PDT).

Todos os representantes afirmaram que há uma grande necessidade de mudança na forma de pagamento feita pelo SUS: ao invés do pagamento às instituições e à rede assistencial acontecer por quantidade de procedimentos e produtos utilizados, os presidenciáveis sugerem que a cobrança seja feita por eficiência e resolutividade.

Ademais, Roberta Grabert ressaltou a criação do novo SUS (proposta do Partido Novo) que visa a integralidade do sistema, cooperação da rede privada com a rede pública sob vários eixos, atendimento regionalizado controlado e contratado pelo Estado e concentração das agências reguladoras em uma só, para facilitar o trabalho de todos os prestadores de serviços.

Já Arthur Chioro afirmou que o setor e a sociedade devem confiar no trabalho que o PT prestou nos últimos anos, visando a organização do setor privado como provedor de bens e insumos. Destacou, ainda, os programas sociais voltados para a saúde apresentados nos últimos anos, as novas formas de contratualização, hospitais de excelência, projetos populares, dentre outros.

Márcia Bandini afirmou que é preciso criar redes e pactos nacionais para reorganização do SUS: “A ideia é dialogar com as diversas áreas. Marina lutará por ações intersetoriais, com promoções de ações pelo bem comum”, afirmou a representante.

David Uip reforçou a importância do acesso à atenção primária, criação de unidades básicas de saúde, trabalho nacional e também regionalizado para atender as diferentes áreas do País. Afirmou que o governo Alckmin terá diversos programas sustentáveis neste sentido.

Já Henrique Javi apresentou a proposta do candidato Ciro com foco na preparação de gestores das instituições, empoderamento do cidadão para que ele participe de todo processo relacionado à sua saúde, bem como a criação de modelos preventivos de saúde.

Judicialização da saúde

Sobre a judicialização na saúde, Arthur Chioro afirmou que o governo de Haddad trabalhará de forma integrada entre os três poderes, principalmente com o sistema de justiça brasileiro. Com inovação e incorporação tecnológica, afirmou que a ideia é qualificar o processo de gestão. Também reforçou a necessidade de revogação da Emenda Constitucional 95.

Já Marcia Bandini salientou que a questão precisa ser enfrentada de uma maneira intersetorial, pois alega haver desperdício de dinheiro no SUS. Sugere, com critério técnico e transparência, o envolvimento profundo do governo federal na judicialização, aprimoramento dos tratamentos e medicamentos no Brasil, trabalhar com diálogo entre o paciente e o sistema judiciário e com medicina baseada em evidências. Também sugere fortalecer a indústria nacional para fabricação de medicamentos.

David Uip reforçou o aprimoramento de um sistema de informatização para os juízes, o “Acessa SUS”, em que o magistrado conseguirá acessar todo o processo e informações sobre o paciente. Afirmou que o governo Alckmin gostaria de promover acessibilidade e parceria com instituições privadas neste sentido.

Já Henrique Javi afirmou que o governo Ciro desenvolverá sistemas claros de informação para o paciente e o juiz, mecanismos de prevenção para a população e pactos federativos.

Por fim, Roberta Grabert salientou que o cidadão deve ser responsabilizado pela sua saúde, pois, como afirmou, o cidadão “acha que tem direito a tudo”. Ressaltou, ainda, a importância da medicina baseada em evidências, bem como a necessidade de equipar os juízes com respaldo técnico, pois sempre quem perde é o Estado.

 

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